Uma viagem a três

Como sempre as minhas viagens são decididas num “susto”, através de decisões rápidas para aproveitar promoções de passagens aéreas, e quando vejo, lá estou eu de novo em um avião. Dessa vez o destino foi o Maranhão, e a primeira emoção da viagem aconteceu na ida, quando escutamos um barulho, como uma freada brusca, e o piloto avisou que faltou potência para decolar. O horário do vôo que era nove horas da noite, foi remarcado para as duas da manhã. Tudo isso gerou um pouco de cansaço e estresse, mas eu estava em ótima companhia, meu filho e a namorada embarcaram nessa comigo… (risos).
Foram muitas emoções, porém sinto que se escrever todos os detalhes, as histórias vão se transformar em um livro. Por isso, tentando colocar poucas palavras na minha narrativa, anotem aí as mães interessadas em aventuras: atravessei caminhos tortuosos em mata “quase” fechada numa Toyota 4×4, escalei dunas de quase trinta metros de altura, percorri o rio Preguiças em uma lancha conhecida como voadeira (podem acreditar, ela voava mesmo), interagi com macaquinhos, andei de quadriciclo, muito bem acompanhada por sinal… (jamais esquecerei).

Conclusão da viagem: a Vilcinéa que foi para os lençóis maranhenses não foi a mesma que voltou. Exausta, com dores no corpo, mas também cheia de ótimas recordações, lembranças lindas, de paisagens que vi, do encantamento por aquelas dunas e lagoas, onde a emoção tomou conta de quem esteve ali.

E o principal dessa viagem a três, que foi uma experiência, um aprendizado em minha vida, foi perceber que uma ligação muito forte se formou, através do amor subtraímos as dificuldades e somamos tudo de bom que essa viagem nos proporcionou.

Confeitaria Colombo: uma viagem ao túnel do tempo

Aquela terça-feira não foi programada pra isso, mas depois de alguns compromissos cancelados, alheios a nossa vontade, resolvemos pegar as barcas e mudar os planos, lanchar na famosa e tradicional Confeitaria Colombo. Já fazia algum tempo que meu filho queria que eu conhecesse a Colombo, especificamente a do centro do Rio. Sabendo que sou apreciadora de coisas que nos remetem ao passado, ele sempre dizia que a arquitetura, os objetos, a louça, a maneira de se vestir e de se comportar dos funcionários, o cuidado nos detalhes, me impressionariam.

Foto: Divulgação

Permanecemos no local por poucas horas, mas o bastante pra ter aquela sensação que entramos num túnel do tempo, onde usávamos roupas do futuro, mas nos sentíamos no passado, contagiados pela magia do lugar.

Foi depois de andar por ruas tortuosas, camelôs barulhentos, pessoas correndo para o trabalho, prédios super modernos, chegamos naquele lugar, onde não existe pressa, só uma vontade de pedir um chá, uma fatia de bolo, e junto com meu filho (agora, um menino), aproveitar. Porém, eu sabia, que em poucos minutos, ao colocar o pé na calçada, o futuro voltaria, e meu filho cresceria… mas o importante é que sempre podemos voltar… quem sabe… em outro dia.

Viagens, filho, felicidade

Vamos arrumar a mala, temos que sair com duas horas de antecedência, não gosto de chegar atrasado, o passeio vai ser tranquilo, é uma viagem mais família, pena que meu pai não veio, já fiz o nosso roteiro, você merece essa viagem, é como tirar férias dos serviços de casa, você ronca muito, não pára, o mais importante é comer todos os dias, arroz, feijão, uma verdura e uma carne, as minhas viagens são assim, procuro fazer uma boa alimentação, você é que vai escolher onde vamos comer dessa vez, mãe, pode falar, você está cansada? Quando quiser eu paro, eu tenho que resolver tudo?

Viajar com meu filho é assim, um ritmo acelerado, mas o que é mais engraçado sou eu, tentando acompanhar esse ritmo, mas tudo vale a pena, porque estar com ele, é a maior felicidade.

Histórias, caminhos e conquistas

Quem já não se reuniu com a família e começou a recordar histórias engraçadas que aconteceram à muitos anos atrás, onde a falta de dinheiro era uma das principais dificuldades, mas que hoje em dia, provoca gargalhadas incontroláveis.

Foi num desses dias, que eu e meu filho começamos a lembrar das dificuldades financeiras de quando ele era criança. “Oh” coisa boa… rir de uma fase da vida que só nos acrescentou, e saber que quem nunca foi pobre jamais vai dar valor.

É engraçado como lembro de coisas que aconteceram também na minha infância e me pego rindo sozinha, lembrando por exemplo, da esteira que minha mãe me mandava comprar (muitas vezes fiado) na Quitandinha. Carregava a esteira nas costas (aquela que seria a minha cama e a de meus irmãos) sem nenhum constrangimento, desfilando pela rua. “Ah” … eu era feliz e não sabia.

Meu filho, hoje com vinte e cinco anos, já mostra sinais de saudosismo. Conversando comigo em outro dia, lembrou que eu gastava o pouco dinheiro que tinha para levá-lo ao cinema, mas a pipoca tinha que ser feita em casa, ele achava um tremendo mico, porém eu achava tão prático, estava resolvendo um problema, o lado financeiro era escasso. Falava pra ele: – Meu filho, aquele pacote enorme que eles vendem lá é pura ilusão, podemos levar a pipoca discretamente na bolsa, ninguém vai reparar (risos).

Outra coisa que eu fazia com ele, tadinho, hoje em dia fico com pena, para conseguir pagar o lanche no McDonald’s, tínhamos que ir andando (cerca de 30 minutos) até o local e na volta a mesma coisa, porque o dinheiro era contado. Porém, o meu garoto, muito gordinho, topava a empreitada! Para ele valia mais o lanche, a companhia, as gargalhadas de nós mesmos quando no calor do verão as “cordinhas” pretas no pescoço e nos pés, marcadas pelas sandálias, provavam que andamos um bocado.
São muitas as histórias para compartilhar com a família e os amigos. Momentos que vão se tornar inesquecíveis e sempre irão nos fazer gargalhar quando lembrarmos.

Meu filho hoje viaja, passeia por diversos lugares e tem o privilégio de comer em vários restaurantes, mas sei que ele nunca vai esquecer da pipoca e daquele “lanchinho suado”, porque nessa vida tudo tem mais valor quando é conquistado.

Uma tarde no museu – 2

A palavra é essa: encantada. Gostei demais do último passeio que fiz com o meu filho. Visitamos dois museus: o do Rio e o do Amanhã. Quando chegamos no Rio andamos das barcas até aos museus, e só nesse trajeto eu já senti que valeu a pena ter saído de casa. Na minha opinião visitar museu significa somar conhecimentos, só o ambiente já causa um bem estar inexplicável. É um espaço que mostra o mundo de uma forma diferente, através de vários tipos de artes, de propostas novas, como é o caso do Museu do Amanhã, que através de telões (se é que pode ser chamado assim) nos mostra um mundo de beleza sem igual, mas em ebulição, em processo de corrosão. Lembrei de quando dava um presente para o meu filho, ainda bebê, e ele quebrava, danificava, e às vezes não tinha recuperação.

Gostei muito, porque saí de casa, porque estava em ótima companhia e porque gosto de cultura e de tudo de bom que nos proporciona.

Valeu a pena tudo… até o boi

Chegou domingo…tempinho legal, passeio combinado:Feira de São Cristóvão. Pessoas escaladas para o “tour”: Eu (carregando meus acessórios de sempre na sacolinha), marido (cheio de disposição, agradando a todos), filho (como sempre, lindo, simpático), minha sobrinha Renata (ótima companhia, animada, comunicativa, sempre pronta para selfies) e Ana (grata surpresa dos últimos tempos, #afinidademãefilhoana).
Chegando na feira já começamos a tirar fotos, primeiro foi Gonzagão, depois o boi… Muito interessante dizer que nem entendi porque tiravam tanta foto com aquele boi, mas pensei “Por que não tirar?” Fui na onda, posei e tirei uma foto onde os chifres se destacavam mais que a minha pessoa de um metro e cinquenta e um…rss. E por falar em boi, andando mais um pouco na feira, percebemos logo que teríamos que decidir onde iríamos almoçar. Passamos por muitos restaurantes, e eram muitas as ofertas e garantias de melhor comida, melhor preço, melhor serviço. No final nos decidimos, não sei se foi o melhor para todos, mas o importante é que tinha meu prato preferido: bife com muitas batatas fritas.

Após o almoço resolvemos ir embora, já tínhamos visto tudo, não tínhamos a intenção de comprar nada mesmo, ninguém estava no clima para dançar…mas valeu, porque passear com a família, com amigos, sempre vale a pena.

Um bom lugar

Amanheceu…olhei para o celular que estava ao meu lado e vi que se aproximava da hora de sairmos.
Levantei, peguei uma sacolinha preta (muito utilizada nessas ocasiões) e comecei a colocar tudo que iria precisar para o passeio com meu filho: Sombrinha, dipirona, remedinho para gases, um rolo de papel (aquele que todos nós usamos diariamente…rss), carteira, celular, uma garrafinha d’água (essa não podia faltar).

Antes de relatar o passeio, não posso deixar de colocar essa observação: Sair com alguém do sexo masculino que mora com você, seja filho ou marido, a cena sempre será a mesma, a pessoa vai acordar bem mais tarde que você, vai se arrumar rapidinho e vai te perguntar com uma expressão de “não estou entendendo”: – Ainda não está pronta? (poderia dizer que acordei cedo, fiz café, lavei louça, passei…melhor não…rss). Sem argumentos, só pedi pra dar uma última ida no banheiro. E lá fomos nós.

O tempo estava ótimo para o passeio, acertamos ao escolher aquele domingo, nosso programa era ao ar livre e nosso destino era o Parque Lage. Ao chegar, me deparei com um lugar simples e agradável. Era lindo de se vê  aquela estrutura antiga, com um gramado onde crianças, idosos, jovens, simplesmente contemplavam a natureza, “curtindo”cada um à seu modo, aquele dia de céu azul. Eu, por minha vez, sentada com meu filho em um dos bancos, tentava fazer selfies. De um lado do gramado, estavam algumas moças fazendo bordados, como que esquecidas no tempo, de outro uma moça que desenhava a paisagem sem perceber que ela com sua beleza peculiar poderia fazer parte do seu desenho, tamanha era a proximidade dela com aquela beleza em sua volta.

Um lugar calmo e sereno que me trouxe a memória boas recordações, como a lembrança do filme “Um lugar chamado Notting Hill”, onde a simplicidade, o amor, se traduziu na última cena.

Em resumo, apreciei o passeio dessa forma, e ele foi assim, bom e prazeroso, não usei os medicamentos, nem a sombrinha, não usei nada, só bebi a água da garrafinha. Pegamos o “Bus” e voltamos para casa com a sensação gostosa de ter ido em um bom lugar.