Pedra do Sino no amor e na raça!

Antes de começar a relatar como foi a minha experiência, eu preciso destacar como é intensa a trilha da Pedra do Sino. Estou falando sobre o ponto mais alto do Parque Nacional da Serra dos Orgãos e da cidade de Guapimirim. Um ponto culminante do estado do Rio de Janeiro que tem 2263 metros de altitude. É um lugar surreal, muito procurado por montanhistas e alpinistas. Sabendo disso tudo, o que faço? Resolvo que quero chegar ao cume dessa pedra. Certas horas não sei o que se passa na minha cabeça (rs).

O percurso pode ser iniciado por diversos lugares. Pode ser por Guapimirim, ponto menos popular para iniciar a caminhada, por Petrópolis, normalmente feito por quem está fazendo a travessia Petrópolis-Teresópolis, ou por Teresópolis, opção que eu escolhi e que naturalmente é escolhida por quem só quer conquistar a Pedra do Sino. Vale destacar dois pontos importantes: o primeiro, que o Parnaso de “Terê” fica na Avenida Rotariana e dá para chegar tranquilamente de carro, van ou ônibus. O segundo ponto é para frisar que a trilha não é gratuita, quem quiser ir terá que acessar o site (parnaso.tur.br), escolher as opções que lhe interessam, gerar o boleto e levar o comprovante do pagamento até a recepção do Parnaso, que lá eles irão te dar as pulseiras e os comprovantes finais.
O começo de tudo
Nossa saga começou, depois de passar por uma portinha simples de madeira, encarando um trecho intenso de pedras, talvez a parte mais cansativa de toda a caminhada. Andando por 40 minutos nesse percurso você irá encontrar o abrigo 1, ponto geralmente utilizado como primeira parada. Escolhemos não parar, queríamos manter um ritmo mais forte e sair logo dessa parte de terreno mais complicado. Fizemos a nossa primeira parada na cachoeira (que está seca no presente momento).

Da cachoeira para o abrigo 3
Passando pela cachoeira você irá caminhar cerca de 2 horas até chegar ao abrigo 3. É um caminho mais leve, menos subidas, em constante zig e zag. Uma dica é se alimentar bem na cachoeira, para obter mais energia e dar um impulso forte, sem paradas. Se conseguir fazer isso, você já terá dominado mais da metade da trilha. Apesar do abrigo 3 não está mais funcionando, ele é um ótimo ponto para descanso e, além disso, também conta com um pequeno mirante, que fica a 5 minutos do local.

Abrigo 3 para o 4
Apesar dos 20 quilos nas costas, dos 5 quilos na mão (barraca) e de está caminhando a alguma horas, estávamos no tempo que queríamos e nos sentindo melhor do que imaginávamos, até que uma surpresa aconteceu: veio uma inesperada chuva! Num primeiro momento ficamos perdidos, pois como a meteorologia não previa isso, também não estávamos esperando. Mas, depois de um tempo embaixo de uma árvore, minha parceira de trilha teve uma brilhante ideia: usar a lona da barraca pra proteger a gente e as malas. Fomos andando assim! Não tínhamos escolha, ficar embaixo da árvore era perigoso, descer levaria mais tempo que subir, então resolvemos seguir e enfrentar aquela cachoeira que vinha na nossa direção. Infelizmente não temos fotos, pois a pressa de chegar ao final da trilha e ficar secos nos deixou extasiados e com foco máximo. A cena deve ter ficado engraçada, pelo menos todo mundo que passava dava aquela risada (rs).

Chegando ao camping
Depois de muito esforço e 4 horas de subida, conseguimos com muita alegria chegar ao camping. Montei rapidamente a barraca e fomos correndo para a pedra (o cume da pedra fica a 25 minutos do abrigo 4) para ver o pôr do sol, mas a ideia, misturada  a nossa displicência e inocência momentânea, não deu muito certo. Fomo pegos, novamente, por uma surpresa e, dessa vez, foi ainda pior, pois se tratava de uma intensa neblina!

Ficamos no alto do cume sem enxergar nada, inclusive o caminho de volta, por cerca de 30 minutos. Percebemos que o tempo não ia melhorar, então resolvemos, sem perder a calma, buscar algumas opções de saída. Nesse momento comecei a me rastejar pelas pedras em busca de um ponto plano para descer, pois como se tratava de um cume, pulando no lugar errado era “adeus”. Felizmente com a ajuda divina consegui achar um ponto e retornar a trilha. Mas fica aqui a reflexão, sua vida sempre está em primeiro lugar! Sempre coloque isso na sua cabeça, assim nunca vai se expor a situações de riscos, como eu fiz erradamente.
A recompensa
A partir desse susto, resolvemos que era o momento de encarar o frio e dormir. Nessa hora, todo o peso que levei compensou. O frio lá realmente é muito intenso, fez cerca de 2 graus. Para quem quiser me seguir, eu levei: isolante; saco de dormir; muita roupa (dois casacos, duas calças grossas, três meias, luva e touca); muita comida (quatro sanduíches bem recheados, três ovos, três bananas, 2 bananadas e um tubo grande de batata); três litros de água e um repositor. Resumidamente, levei muita coisa.

Acordamos com um lindo céu estrelado, às 4h da manhã. Nos arrumados e fomos subir o pico, às 4h30. Levamos lanterna para chegar até lá, estava tudo bem escuro. Enfim a recompensa chegou! O céu estava lindo, limpinho, azul! Sem dúvidas alguma este foi, até hoje, o nascer do sol mais lindo que já vi. Aquele peso das costas finalmente saiu. Curtimos muito, tiramos altas fotos e aquele conforto de que tudo valeu à pena veio a tona. Nessa hora eu não sabia nem o que pensar, só queria curtir o momento. Ficamos lá por mais de duas horas, descemos, desmontamos tudo e partimos para casa. Fizemos a descida em 3 horas.
Depois disso tudo, eu só posso afirmar que Deus sabe de toda as coisas! Se você não compartilha de minha fé, se apegue na sua, pois certamente essa experiência vai te deixar mais próximo de algo superior. Foi incrível, marcante e único. Voltamos para casa super satisfeitos e sempre vamos ter essa lembrança na memória, de que vivemos algo único e extraordinário.

Conhecendo Guapimirim (RJ)

Primeiro, gostaria de iniciar o texto falando que, mesmo com pouco tempo de passeio, fiz grande amigos na cidade. Isso foi o que achei mais incrível na viagem, a boa forma em que fui tratado. Como sempre dou muito valor as pessoas, venho destacar a hospitalidade do Rafael e da Amanda que o tempo todo foram sensacionais comigo.

Agora falando dos passeios…

A aventura começou junto com um receio: a chegada de um possível temporal! Estava muito nublado, mas como não sou feito açúcar fui sem pestanejar. Chegando ao local fomos nos organizando e no final tudo deu certo. Fiquei na cidade 4 dias e fiz esses passeios abaixo:

Túnel dos escravos
É um túnel subterrâneo que teria sido feito por escravos há aproximadamente 300 anos. Na propriedade onde ele se encontra também é possível ver muitos tijolos maciços espalhados, além de um muro centenário feito com pedras de rio perfeitamente encaixadas, sem nenhum tipo de concreto (conforme as construções antigas).  Além disso, no local podemos contar com as declarações sobre a história do lugar, informações de quem teve os avôs ou pais que viveram no tempo da escravidão. A parte mais legal do passeio é exatamente essa, o diálogo com os moradores.
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Um passeio ecológico cultural com paradas em lugares com belas paisagens, ruas de chão, trilhas e cachoeiras. A proposta do passeio é o aprendizado, descobrimos diversas informações de inúmeros lugares. Incríveis histórias sobre o bairro Cotia (antiga Fazenda Santa Constança), o Esporte Clube Central, a Estação Ferroviária, a Capela de Sant’Ana, a Estrada Imperial, a Capela Nossa Senhora da Conceição, a Ponte Velha, a Casa Bernadelli e vários outros pontos repletos de curiosidades e lendas. Vale destacar a parada para comer uma deliciosa tapioca.

Nesse passeio também aconteceu 2 fatos sensacionais e possivelmente os mais marcantes, ter conhecido a Vânia (muito divertida) e o Juninho, e ter visitado a casa do Eduardo, que além de ser um cara muito inteligente e receptivo, nos mostrou a sua criação de abelhas, seu gavião carrapateiro, sua criação de gansos, seu trabalho na parte de cultivação de morangos silvestres, e muito mais.
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A cavalgada é feita por uma trilha com direito a ruas de chão, morros, rios, entre outras paisagens. O mais emocionante do passeio é a oportunidade de se sentir livre, controlando o cavalo por diversos cantos. Apesar de todas a liberdade, o passeio conta com um especialista te acompanhando de perto.
12002581_878479238899877_2259927859525959280_oPantanal Fluminense e Observação de Golfinhos
O passeio conta com a travessia dos rios Guapimirim e Guaraí, e com a contemplação dos mais diversos tipos de aves do Pantanal Fluminense. Nesta região também é possível observar o boto-cinza, também conhecido como tucuxi, pirajaguara e boto-preto. É um boto que tem o hábito de viver em grupo. É muito sociável.
12006678_878479345566533_1279419826432009605_oRapel nas Cascatas do Garrafão
A cascata conta com uma trilha de aproximadamente 25 minutos que leva os turistas as nascentes, quedas d’água, cachoeiras ainda inexploradas e até a uma pequena hidrelétrica desativada.  Além de contemplar todas essas maravilhas da natureza o viajante ainda pode fazer um incrível rapel de 30 metros de altura em meia às águas do rio Iconha. Para mais informações sobre o rapel acesse o link com a matéria no Blog: https://trilhandooficial.wordpress.com/2016/12/26/rapel-nas-cascatas-do-garrafao-guapimirimrj/
ecd95b9c-3870-4c9d-a209-ef921350c48aPeripécias
Toda viagem que eu vou sempre acontece algum fato meio louco. Resumindo posso dizer que não sou a pessoa mais sortuda do mundo, mas talvez seja isso que faça as minhas viagens serem marcantes. Em Guapimirim, além do tempo me pregar algumas peças, também aconteceu algo ainda mais marcante: voei do cavalo (risos). Algo que comprovadamente nunca aconteceu no local, acho que o bicho não foi muito com a minha cara. Na primeira vez que andei a cavalo já fiquei super experiente: já aprendi como andar e como cair. Como meu pai dizia “só se aprende caindo”, então posso dizer que tive um grande aprendizado (rs), além de ter terminado o passeio ao estilo Tarzan, de cueca (rs). Obs: Não aconteceu nada grave e todos foram muito atenciosos comigo.

Dicas
Aproveite para fazer todos esses passeios, como eu fiz, num só fim de semana ou feriado prolongado. Outra ideia, é que você se “solte” para conhecer as pessoas da cidade, todos tem muita histórias legais para contar.

Para mais informações sobre as programações da cidade acesse o site http://visiteguapimirim.com.br/, lá você pode entrar em contato com a agência Guapimirimtur.

Rapel nas Cascatas do Garrafão – Guapimirim

A cascata tem esse nome porque fica localizada no tranquilo bairro do Garrafão. Uma trilha de aproximadamente 25 minutos leva você as nascentes, quedas d’água, cachoeiras ainda inexploradas e até a uma pequena hidrelétrica desativada.

Além de contemplar todas essas maravilhas da natureza o turista ainda pode fazer um incrível rapel de 30 metros de altura em meia às águas do rio Iconha. O local também serve como ponto de partida para a trilha da Concórdia.

Como chegar?
Na curva do Garrafão, você vai verificar a entrada para o bairro de mesmo nome. Se estiver subindo, o acesso é direto. Se estiver descendo a serra, siga até o posto de gasolina, e faça o retorno. Assim que atravessar a pequena pista de acesso, verá várias residências, plantadas na serra dos Órgãos. A primeira opção de trajeto é para a direita, descendo a via. Desça uns 500 metros e aproveite para deixar seu carro próximo ao bar do lado esquerdo. A via é bem estreita. Continue descendo a via a pé, até encontrar a entrada da trilha bem marcada a sua esquerda. Serão 25 minutos de trilha bem suave, até avistar a cachoeira.
Dicas
Para quem não gosta de se aventurar por conta própria, eu indico uma agência que trata os turistas de uma forma muito bacana. A GuapimirimTur pode ser encontrada através do site Visite Guapi. Além disso, eles tem diversos passeios interessantes pela cidade de Guapimirim.
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