Um sonho chamado Morro de São Paulo

Já imaginou um lugar que tenha belezas naturais, festas maneiras o tempo todo, gente bonita e animada e ainda fique situado em uma ilha paradisíaca? Sim, esse lugar existe e tem nome: Morro de São Paulo. Localizado na Ilha de Tinharé, esse pedacinho do paraíso precisa ser visitado e apreciado por todos os amantes da natureza e da vida.

Minha experiência por lá foi “devastadora”. Sem dúvidas o lugar que mais amei conhecer no meu mochilão pela Bahia. Vou tentar te contar um pouquinho como foi.

TERÇA
Cheguei lá numa terça-feira estranha. O dia tinha começado com sol, mas durante todo o percurso de Catamarã peguei chuva e um mar bastante agitado. Enfim… depois de muita emoção cheguei no porto. A primeira coisa que você vai reparar quando chegar por lá são nos populares “taxis”, garotos com carrinhos de mão oferecendo (em troca de dinheiro) para carregar sua mala pelas ladeiras de morro. Gastei um tempinho para me localizar, reconhecer o território e guardar a mala. O dia já estava terminando mas, como sempre, não gosto de perder nenhum minuto da viagem, então fui explorar. Me indicaram ir em direção a tirolesa, pois lá de cima dá para ter uma visão mais ampla das praias e da cidade. Fiz o que me disseram, mas percebi que próximo de onde eu estava tinha um outro caminho que levava a uma nova possibilidade, e lá fui eu. Encontrei, provavelmente a vista mais linda do lugar. Um mirante natural, com uma visão perfeita do céu e do mar. Foi surreal. Dica: coloque como certo esse local no seu roteiro. Pois é de graça, está aberto o tempo todo e é perfeito tanto para apreciar, quanto para tirar lindas fotos.

Mirante Natural

Depois de curtir o que dava do fim de tarde, busquei me informar sobre a programação da região. Descobri que cada dia é caracterizado por ter certas festas e eventos. Foi ótimo, porque já pude me organizar pra comprar ingressos e também perceber que ia gastar um pouco mais do que planejava. A terça era dia da festa do bambu, um hostel que fica escondido bem dentro da mata e privilegia artistas com vontade de mostrar o seu talento, ou seja, se você tem um dom musical e não tem vergonha de mostrar, vai lá que terá a oportunidade de tocar com outros grandes músicos. Esse evento é mais sossegado, não lota, não tem custo algum para participar e é realizado num período de matinê, pois as festas dentro dos hostel’s, por lei, tem horário de duração.

– Farol
Próximo a um mirante que proporciona uma bela vista, o farol é uma estrutura que não pode ser visitada. Ele é mais utilizado para demarcar uma àrea. Não tem atividades turísticas ou culturais.

QUARTA
Estava afoito querendo conhecer as famosas praias. Dormi mal por causa da ansiedade e de um mosquitinho chato que apareceu ao meu lado (depois me dei conta que ele devia tá por lá porque esqueci meu tênis debaixo da cama e ele estava bem sofrido). Ao acordar me deparei com um tempo ainda estranho, fiquei com receio, tomei café e fui em direção da praia sem desanimar. Chegando lá o tempo já não estava mais tão feio. Deitei na areia. Me distrai. De repente reparo que todas as nuvens sumiram e o sol estava naquela potência condizente ao que eu lia na internet e com a quantidade de protetor que levei. Minha alegria era clara e meu agito constante. Fui destrinchar o lugar. Conheci a primeira, a segunda e a terceira praia, que são pontos fáceis de se conhecer, pois ainda estava receoso de outra mudança do clima. Um pouco mais tarde e mais confiante, fui em busca de um passeio maior. Resolvi ir andando até Gamboa, praia famosa pela sua argila medicinal.

Voltei à tardinha e já fui me organizar para ir ao evento de quarta: o Teatro. Uma boate que é divida em duas partes, metade fica tomada por ritmos locais e latinos, a outra parte fica sendo embalada pela música eletrônica. Esse local já tem mais a cara das noitadas paulistas e cariocas, tanto no estilo, quanto nos preços. O ingresso teve valor de R$50 e a festa durou até o sol nascer.

– Primeira Praia
É pequena, mas é a praia com mais diversões no mar. Tem muitos hotéis e pousadas e é a mais próxima da vila.

– Segunda Praia
É a praia mais badalada, não só durante o dia como à noite. Praia que conta com a maior diversidade de bares e restaurantes. Os principais eventos realizados na areia acontecem aqui, inclusive o popular luau.

– Terceira Praia
Tem cerca de 800 metros de extensão. É dessa praia  que partem os passeios para outros lugares da região. Sua faixa de areia é pequena e na maré alta o mar atinge o muro onde fica a ruela da orla.

– Caminhada até Gamboa
Se a maré estiver baixa você poderá fazer uma caminhada do cais do Morro até a Gamboa, passando pelas praias do Porto de Cima e da Ponta da Pedra. Antes de chegar em Gamboa está a encosta de argila, parada obrigatória para passar a argila por todo o corpo, que segundo dizem os moradores tem função esfoliante. Confesso que nesse momento me empolguei e passei argila até no cabelo (risos). A caminhada, se for feita de forma tranquila, dura cerca de 30 minutos.

QUINTA
Já deu para reparar que nesse lugar quase não se dorme né? Depois de 2 horas de sono, parti para a empreitada do dia: o passeio de lancha Volta à Ilha. Neste passeio, que detalho melhor abaixo, tive a oportunidade de conhecer um grupo de paulistas e mineiros muito animados, pessoas incríveis que, provavelmente, terei contato pelo resto da vida. O passeio foi indescritível. Conheci lugares lindos, comi ostra pela primeira vez e me diverti um bocado. Para quem tiver interessado, relato que existem diversas agências na ilha que fazem esse passeio, mas indico que procure a que tem o grupo mais animado, faz toda a diferença. O preço gira em torno de R$100, mas se for em baixa temporada utilize seu poder de negociação.

E, antes que esqueça, destaco aqui a festa deste dia: o luau. Foi neste evento que conheci uma menina super especial, que fez a minha estadia em Morro ser ainda mais prazerosa e empolgante, e que sempre estará guardada de forma positivamente linda na minha memória. O luau não é muito bem um luau. É mais uma festa gratuita na praia. Com direito a diversas caixas de som, este evento também invade a madrugada.

– Passear de barco Volta à ilha
Há dois passeios de barco pela ilha. O mais procurado e conhecido é o Volta à Ilha, que dura o dia todo. De manhã, a programação começa pela piscina natural da Praia de Garapuá, com águas quentes e cheias de peixes. Depois, o barco segue para as bonitas piscinas de Moreré, na Ilha de Boipeba. Após o desembarque na Praia de Cueira, caminha-se pela orla por Tassimirim para chegar à Boca da Barra (centrinho de Boipeba), onde há uma breve pausa para o almoço nas barracas pé na areia (pago à parte). À tarde, a navegação segue pelo Rio do Inferno e faz mais duas pausas nas cidadezinhas de Canavieiras e de Cairu.

– Forte
O forte é visto logo na chegada da cidade. Ele foi usado como ponto estratégico, principalmente para proteger a cidade de Salvador. Junto do forte fica uma antiga senzala ou prisão (não se sabe ao certo) com um túnel que vai até a igreja principal. O forte é escolhido pelos visitantes da ilha principalmente para admirar o pôr do sol.

SEXTA
Para variar, na sexta também não dormi quase nada. Mesmo lesado, era a hora de conhecer o que restava do passeio. A festa deste dia foi na Toca do Morcego. A entrada para casal tem o valor de R$50 para cada. Indo solteiro paga R$70.

– Quarta Praia
Uma praia mais extensa e mais deserta, em compensação também é a mais bonita entre as praias de mais fácil acesso. Quando a maré está baixa é possível ver a grande quantidade de corais. Essa eu fui pra relaxar.

– Quinta Praia
É a praia mais distante do centro, parecida com a quarta praia, mas de difícil acesso. É quase uma praia particular para os que ficam nos resort’s e em hotéis próximos.

– Toca do Morcego
A Toca do Morcego é o lugar mais famoso para ver o sol se pondo. O espaço cobra R$10 pela entrada e oferece esteira, almofadas e um cardápio com bebidas e petiscos. A casa não abre nos meses de maio, junho e na primeira quinzena de julho. Na baixa temporada, o horário de funcionamento é das 16h30 às 22h.

– Mirante da Tirolesa
É um lugar propício não só para quem pretende descer pela tirolesa de 320m de altura (R$ 70), como para quem quer ter uma vista geral da cidade. Um triste fato é que eles não deixam você saltar segurando algo, ou seja, não da para tirar aquelas fotos iradas da gopro.

SÁBADO
Foi o dia mais difícil, o dia da despedida. Foram poucos dias, mas muito intensos. Parecia que já conhecia o lugar com a palma da minha mão e já tinha amizade com os moradores há anos.

Uma viagem recheada de histórias e momentos inesquecíveis. Morro é um daqueles lugares que cravam uma saudade eterna no seu coração. Cada detalhe, cada conversa, cada passo, vão ficar sempre guardados no meu coração.

Piscinas naturais de Moreré (Ilha de Boipeba)

COMO CHEGAR?
Transfer aéreo: A opção mais cara e rápida para se chegar até morro. A viagem dura cerca de 3o minutos e o valor gira em torno de R$435,00. Como sou pobre, esse é o máximo de informação que tenho sobre essa possibilidade, desculpe (rs).

Transfer marítimo: seu tempo de viagem é aproximadamente de 2 horas e trinta minutos, podendo variar para 3 horas, dependendo das condições climáticas e ventos no mar. O local de partida (catamarã e lancha) é no Terminal Marítimo de Salvador, próximo do Mercado Modelo, na Cidade Baixa. A chegada em Morro é no porto (cais), localizado próximo à vila (centro) ao lado da Fortaleza. Na época em que fui, o trajeto custou R$ 96,50 por pessoa. Os preços e os horários são tabelados, então não tem muito para onde correr.

Transfer semiterreste: Vá para o Terminal Hidroviário de São Joaquim e de lá siga em direção a Bom Despacho, localizado na Ilha de Itaparica – o trajeto dura em média 40 minutos. Pegue um ônibus até Valença. Saltando no Terminal Rodoviário de Valença vá para Terminal Marítimo do local, e de lá pegue os barcos rápidos que vão para Morro. Se você não quiser fazer todo esse processo por conta própria, contrate um pacote com uma agência, que terá alguém lhe orientando e guiando por todo o circuito. Essa opção custa em torno de R$90.

Dois dias em Conceição da Barra (ES)

Um dos mais antigos municípios do Espírito Santo não poderia ficar de fora dos meus roteiros. A pequena cidade de Conceição da Barra, famosa por seu carnaval animado, traz aos seus visitantes um pouco de paz, além de possuir uma paisagem deslumbrante.

Para conhecer o local não são necessários dois dias, em um único dia você irá conhecer tudo que tem por lá, mas caso queira curtir tudo com bastante calma, apreciando os pequenos detalhes e curtindo as praias, aconselho ficar lá por mais tempo.

Além das praias, lá pode-se tirar belas fotos no farol e no Rio Cricaré. Vale ressaltar que o cais deste rio nos permite ver um dos mais belos pôr do sol do estado.

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Para ir e voltar de Conceição da Barra, basta comprar as passagens na rodoviária de Vitória (ou pela internet) com a viação Águia Branca.