Cheguei a Trancoso ou ao paraíso?

Cheguei a simpática vila de Trancoso achando que já tinha visto o melhor da Bahia. Então, fui sem expectativas, basicamente só pra concluir o circuíto que havia planejado. São nessas horas que sempre somos surpreendidos, não é mesmo?

A cidade que foi fundada pelos Jesuítas, no início da colonização portuguesa, como aldeamento para catequização dos índios, nos faz lembrar aqueles filmes hippies dos anos 70. Mistura paz, energia, alegria.

Sentado nos gramados do Quadrado, pude vê as crianças brincando como se não existisse violência no Brasil. Despreocupadas, elas só riam e se divertiam. Fez parecer improvável uma infância nas favelas do Rio, assim como a minha.

Trancoso parece ser uma música que fala de sonhos bons. Entrega a sua verdade na poesia dos seus mares, rios e juventude. Esse lugar falou comigo como poucos falaram. Me fez ver a beleza da simplicidade, seja numa festa em uma casinha de barro com uma linda fogueira ao fundo, ou simplesmente por subir em uma árvore, só para ver as águas cristalinas de um ângulo diferente.

Praia dos Nativos

Acho muito difícil definir um roteiro “certinho” desse lugar charmoso e regado de coisas boas, por isso vou lhes contar tudo que fiz e conheci de bom e, assim, vocês podem ver o que lhes interessam.

– Caminhar até Arraial d’Ajuda
Cerca de três horas de caminhada – 12 quilômetros ao norte – separam as praias de Trancoso das de Arraial d’Ajuda. Vá apenas na maré baixa para que os rios do caminho não se tornem intransponíveis. Há barracas no percurso que tem como sequência as praias de Rio da Barra, Taípe, Lagoa Azul, Pitinga, Parracho e Mucugê.

– Praias
A maneira mais agradável de conhecer as praias de Trancoso é caminhando. A partir da praia dos Nativos, uma das mais próxima da vila, o destino é a Rio da Barra, que é mais deserta (direção Arraial d’Ajuda). Já saindo da praia dos Coqueiros, ponto de parada de excursões, chega-se a Rio Verde, Itapororoca e Itaquena (direção praia do Espelho). Dá para chegar de carro em algumas praias, seguindo por estradinhas de terra, mas nem sempre há estacionamentos por perto.

– Quadrado
A praça, que abriga a igrejinha e um campo de futebol, é emoldurada por amendoeiras e casinhas coloridas que funcionam como bares, restaurantes e lojas. De dia, o Quadrado é uma tranquilidade só. Ao entardecer, porém, ganha vida com o movimento no comércio e o vai-e-vem de nativos e turistas.

Vista do Quadrado

– Borboletário Asas Mágicas
Aberto em 2015, o borboletário Asas Mágicas é indicado para as famílias.
Tel: (73) 998175910 / (73) 998176287
Site: http://www.asasmagicas.com.br/
Endereço: BR-367, Km 57 (próximo ao trevo para Trancoso)

– PRECISO DESTACAR A PRAIA DO ESPELHO
Escondida entre os povoados de Trancoso e Caraíva, a praia do Espelho é considerada uma das mais encantadoras da Bahia. Eleita diversas vezes como uma das praias mais bonitas do Brasil, é perfeita para apreciar a natureza, as águas azuis que formam piscinas naturais e as gigantescas falésias brancas e avermelhadas. Quando estiver por lá, você também pode aproveitar para conhecer a Aldeia de Itaporanga, um lugar que vai te permitir conhecer um pouco das origens dos índios Pataxós, e também comprar os seus artesanatos por um preço mais acessível.

Praia do Espelho

Depois de curtir isso tudo, era a hora de concluir o meu mochilão. Foram momentos e lugares mágicos. A emoção sempre vai vir junto com as lembranças. E fica a dica: fechar em Trancoso é fechar com chave de ouro. Como já dizia Renato Russo, estou indo de volta pra casa.

O que é que Salvador tem ?

“Ah, que bom você chegou, bem-vindo a Salvador, coração do Brasil.” Realmente, Salvador é a cara do Brasil. Diferenças sociais claras e grandes riquezas culturais. Centro de diversidade que em certos momentos dá medo, por causa dos saqueadores de plantão, mas que também dá muito prazer devido a animação do baianos de bom coração.

Pelourinho

Minhas aventuras por terras soteropolitanas começaram, e só tiveram a devida graça, por causa de três maravilhosas pessoas que me acolheram e mostraram o que a “cidade do carnaval” tem de melhor. Convivi com baianos e como baiano.

Apesar de irmos para os pontos turísticos de carro, quando utilizei o ônibus não tive dificuldades, lá é tudo bem perto e a passagem custa em torno de R$3 reais, bem mais barata que no Rio. E ainda tem o metrô, que eu não usei, mas os amigos falaram que é bem útil e prático. Deixo essa dica no ar.

Mas vamos ao que interessa: os passeios!

No primeiro dia fizemos um tour e tanto, rodamos o Pelourinho, as igrejas, subimos o Elevador Lacerda, conhecemos o Mercado Modelo e concluímos um dia lindo vendo o final do entardecer na Ponta do Humaitá.

Pelourinho
Considerado Patrimônio da Humanidade pela Unesco, o bairro na Cidade Alta, tem mais de 800 casarões dos séculos 17 e 18. Vielas, ladeiras e largos concentram igrejas, museus, restaurantes, lojas e um vaivém de gente de todo o mundo. Para chegar ao local de forma prática é só pegar o Elevador Lacerda. Sem dúvidas o “Pelô” é o lugar mais mágico de Salvador.

Igreja e Convento de São Francisco
Centenas de quilos de ouro enchem de brilho os altares da igreja mais rica do país. Considerado um dos mais extraordinários monumentos do barroco mundial, o templo de São Francisco foi erguido em 1723. O desenho que as casinhas fazem ao seu entorno é algo surreal.
Obs: Evite os horários de missa (3ª, às 7h, 8h, 16h e 18h, sábado, às 7h30, domingo, às 8h), quando a entrada é grátis, mas é proibido circular pela capela e visitar o claustro.
Funcionamento: 2ª, das 9h às 17h30, 3ª, das 9h às 16h, 4ª a sábado, das 9h às 17h30, domingo, das 10h às 15h.
Entrada: R$ 5,00. A visita pode ser feita sem monitoria.
Endereço: Largo do Cruzeiro de São Francisco (Pelourinho)

Igreja do Bonfim
A igreja do Senhor do Bonfim não é a mais bonita, mas com certeza, é a mais famosa da cidade em função das fitinhas que são amarradas em suas grades (aproveite a visita e faça seu pedido). Esteja preparado para o assédio de vendedores de fitinhas e de pedintes.
Endereço: Largo do Bonfim – Cidade Baixa

Elevador Lacerda
A maneira mais original de circular entre a Cidade Alta e a Cidade Baixa é através deste elevador. Com 72 metros de altura, liga a Praça Tomé de Souza (parte alta) à Praça Cairu, onde fica o Mercado Modelo. Restaurado em 2002, ganhou nova iluminação noturna e janelas panorâmicas que descortinam o cais e o mercado.
Entrada: O valor simbólico de R$0,15 centavos
Endereço: Cidade Alta – Praça Tomé de Souza, s/n | Cidade Baixa – Praça Visconde de Cairu, s/n

Mercado Modelo
Considerado um dos principais pontos de vendas de artesanato, o mercado abriga cerca de 270 lojas, com os mais variados tipos de mercadorias, presentes e lembranças.
Endereço: Praça Visconde de Cayru, s/n – Comércio

Ponta do Humaitá
Um dos lugares mais charmosos da região nos privilegia com uma vista da Baía de Todos-os-Santos e um pôr do sol espetacular (mais bonito que o do farol). Vale ressaltar que esse cantinho da Bahia ainda não é tão popular, então aproveite para ir agora que ainda é possível curtir o ambiente com tranquilidade.

No segundo dia, optamos por fazer um percurso mais tranquilo, aproveitamos mais das riquezas naturais e dos sabores locais. Demos uma volta na praia do Farol da Barra, vimos o pôr do sol no farol e fechamos o pacote com chave de ouro, dando uma voltinha a noite no Rio Vermelho.

Praia do Farol da Barra
Cenário das grandes comemorações da cidade, como o Reveillon, tem como destaque o Forte de Santo Antônio. À noite, o movimento é intenso por conta dos bares e restaurantes.
Endereço: 206, R. do Gavaza, 24 – Barra

Noite no Rio Vermelho com acarajé
Um dos pontos mais badalados, principalmente pela galera mais jovem. Vá a noite, pois é o horário que o movimento aumenta com a abertura de bares e restaurantes, que espalham mesinhas na calçada.

Praia do Farol da Barra

Parece pouco, mas dois dias foram suficientes para conhecer bastante de Salvador. Não fui embora sentindo falta de ter conhecido algo. Foram dias intensos. Além dos pontos de maior curiosidade, comi em diversos restaurantes locais e, por destino, conheci também o teatro baiano, através da atuação dos formandos da UFF em uma poderosa peça dramática (a apresentação foi linda). Ou seja, foram dias com tudo que a Bahia tem de melhor: pessoas, alegria, espetáculo, cultura, turismo, comida, arte e vida!

Lobo Hostel Bar: o melhor lugar para ficar em Cabo Polonio

Antes de começar a ler o post, saiba que poucas vezes elogiei tão escancaradamente um lugar, mas lhe garanto que quando for lá entenderá os meus motivos.

Cabo Polonio é um cantinho mágico do Uruguai (como explico neste link) e o Lobo Hostel Bar complementa essa magia de forma brilhante, dando a alegria necessária que o lugar pede em certos momentos.
O hostel está localizado na avenida principal, a vinte metros do mercado local, a cem metros da praça central e a poucos metros da praia Skull, uma das praias mais importantes da região. Lá você poderá encontrar uma casa com sala compartilhada, cozinha interna, chuveiros de água quente, espreguiçadeiras e diversos tipos de quartos. A maioria dos quartos são compartilhados, mas se você é mais reservado o local também conta com um quarto duplo ou individual.

Além de todas as características básicas de um bom hostel, no local também podemos encontrar um restaurante, que serve almoço e jantar, e um grande bar com diversos coquetéis, todos com descontos para os hóspedes. A parte mais legal deste bar, além da ótima comida, é a abertura que ele dá para músicos de diversas origens e gêneros. Foi lá que eu conheci a verdadeira La Rumbia.

Sala compartilhada

Posso indicar o lugar com tranquilidade e satisfação, pois sei que quem for será muito bem tratado e irá alcançar todas as ferramentas necessárias para encontrar paz, harmonia e diversão.